Litoterapia · retrato da pedra

Pedra da lua

Pedra da lua é uma pedra branco, tradicionalmente ligada a intuição, calma, amor-próprio.

Pedra da lua, um exemplar polido

O essencial

Família
Feldspato (ortoclásio)
Composição
KAlSi₃O₈ (frequentemente ortoclásio)
Sistema cristalino
Monoclínico
Dureza (Mohs)
6–6.5
Cor
Branco, creme, com reflexo azulado
Chakras
Sacro, Coroa
Elementos
Água
Zodíaco
Câncer, Peixes

Um véu que flutua sob a superfície

A pedra da lua é uma variedade de ortoclásio, um feldspato potássico, e o segredo dela está na estrutura interna. Ao esfriar, o cristal se separou em camadas alternadas de dois feldspatos, tão finas que difundem a luz em vez de refleti-la direto. É esse fenômeno, a adularescência, que cria o véu azulado ou prateado que parece deslizar sob a superfície quando você inclina a peça.

O outro nome dela, adulária, vem do maciço do Adula, nos Alpes suíços, onde o mineral foi descrito. As melhores pedras, de reflexo azul sobre fundo quase transparente, vêm do Sri Lanka; Índia, Madagascar e Mianmar produzem material em tons de pêssego, cinza e creme. Dureza de 6 a 6,5, com clivagem que não perdoa queda em piso duro.

Pedra da lua, pela tradição

A pedra da lua tem um brilho leitoso que parece guardar um pouco de luar, e a tradição a liga ao feminino, aos ciclos, e às emoções que você aprende a acolher. Atribuem a ela uma presença suave que convida você a honrar seu próprio ritmo em vez de forçá-lo, do jeito que a lua nunca tem pressa de mudar de fase. É uma pedra que muita gente guarda para rituais noturnos, quando chega a hora de desacelerar e escutar suas marés interiores. Segure-a na mão nas noites em que você se sente sensível, e deixe que sua intenção lembre você de que tudo passa e retorna. Simbolicamente, ela combina com a intuição e a ternura por si mesmo.

Afirmação“Honro meu próprio ritmo e minhas emoções.”

De Plínio às joias de Lalique

Plínio, o Velho, já escrevia que essa pedra continha a imagem da lua e que seu brilho crescia e minguava junto com ela. Crença falsa, mas compreensível: o reflexo parece mesmo vivo. Kunz registra em 1913 que na Índia a pedra da lua era tida como sagrada, considerada amuleto dos apaixonados e promessa de sonhos bonitos.

Na virada do século XX, a joalheria de René Lalique e de seus contemporâneos lhe deu uma segunda juventude: eles a cravaram em tudo, seduzidos por um reflexo que parece respirar em vez de brilhar. Até hoje ela divide com a pérola o posto de pedra do mês de junho, numa lista de aniversário que os joalheiros americanos fixaram em 1912.

Como usar pedra da lua

Meditação, um ritual noturno, joias.

Limpeza

Defumação, som; um enxágue rápido em água, depois seque.

Energização

Luz da lua (de preferência), intenção.

Perguntas frequentes

Pedra da lua e opalita são a mesma coisa?
Não, e essa confusão é comum nas feiras brasileiras. A opalita é vidro opalescente fabricado, com brilho leitoso azulado uniforme e às vezes bolhas visíveis contra a luz. A pedra da lua é feldspato natural, tem clivagem, o véu se move conforme o ângulo e o fundo mostra pequenos defeitos internos. O preço costuma ser o primeiro aviso.
Pedra da lua pode molhar?
Enxágue rápido não incomoda. Evite banho quente, ultrassom e produtos de limpeza: a clivagem do feldspato aproveita qualquer choque térmico ou fissura para se abrir. Seque com pano macio e guarde separada de quartzos, que a riscam com facilidade.
Toda pedra da lua tem reflexo azul?
Não. O azul aparece quando as camadas internas têm a espessura certa, o que é raro e concentra o material mais caro, historicamente do Sri Lanka. As peças cinza, creme e pêssego têm véu esbranquiçado ou dourado, e são igualmente pedra da lua, apenas com outra assinatura óptica.

Fontes

  • Judy Hall, The Crystal Bible, Godsfield Press, 2003.
  • Robert Simmons & Naisha Ahsian, The Book of Stones, North Atlantic Books, 2007.