Rituais · bruxaria suave

Lughnasadh o primeiro pão do ano.

O Lughnasadh, celebrado em 1º de agosto, abre a estação das colheitas: é um dos quatro grandes encontros do ano celta, há muito atestado na Irlanda, onde ainda dá nome ao mês de agosto, Lunasa. A mitologia o liga ao deus Lugh, que teria fundado jogos fúnebres em honra de sua mãe adotiva Tailtiu. Primeiro grão, primeiro pão, primeira gratidão: o sabá do que é recolhido.

O essencial

Data
1º de agosto (hemisfério norte; por volta de 1º de fevereiro no sul)
Lugar na roda
um festival intermediário, entre o solstício de verão e o equinócio de outono
Origem
uma festa gaélica atestada, ligada ao deus Lugh; Lunasa nomeia o mês de agosto em irlandês
Nome anglo-saxão
Lammas, a “missa do pão”: o primeiro pão do grão novo
Sobrevivência
a peregrinação ao Croagh Patrick, no último domingo de julho
Temas
primeira colheita, gratidão, habilidade

De onde vem o Lughnasadh?

A mitologia irlandesa conta que Lugh, o deus “de muitos talentos”, fundou essa festa em memória de sua mãe adotiva Tailtiu, que morreu de exaustão depois de desbravar as planícies da Irlanda para o cultivo. Em sua honra, realizavam-se assembleias e jogos: corridas de cavalos, provas de habilidade, feiras onde se selavam contratos e alianças. Esses encontros do começo de agosto estão atestados nos textos medievais.

A festa nunca desapareceu de todo: no último domingo de julho, dezenas de milhares de pessoas ainda sobem o Croagh Patrick, a montanha sagrada do condado de Mayo, herança cristianizada das subidas do Lughnasadh; o folclore irlandês também guardou um “domingo dos mirtilos”, em que se ia colher nas alturas. E Lunasa continua sendo, simplesmente, o nome do mês de agosto em irlandês.

Lammas, a missa do pão

Do outro lado do Mar da Irlanda, a Inglaterra anglo-saxã celebrava a mesma soleira com outro nome: hlaf-mass, a “missa do pão”, que virou Lammas. Em 1º de agosto, o primeiro pão feito com o grão novo era levado à igreja. Duas culturas, um único e mesmo gesto: marcar o dia em que a terra começa a devolver o que lhe foi confiado.

Pois o Lughnasadh não celebra a abundância, que vem depois: ele celebra a prova. A primeira espiga cortada, o primeiro pão saído do forno dizem que o ano vai te alimentar. É uma festa de alívio tanto quanto de gratidão, e é isso que a torna tão tocante.

Três gestos suaves para o Lughnasadh

Faça pão, por mais simples, por mais imperfeito que seja: sovar, esperar, assar, todo o sabá está aí entre as suas mãos. E compartilhe. A pesquisa sobre rituais (Michael Norton, The Ritual Effect, 2024) mostra que as refeições ritualizadas e compartilhadas reforçam a sensação de pertencimento; o folclore sabia disso antes dos laboratórios.

Vá colher, num eco do domingo dos mirtilos: amoras precoces, mirtilos, o que os seus caminhos oferecerem no começo de agosto. E, no seu caderno, faça a lista do que você já está colhendo este ano, mesmo inacabado: como Lugh é o deus de todos os ofícios, a tradição lê nisso o momento certo para honrar o que as suas mãos sabem fazer.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre Lughnasadh e Lammas?
Mesma data, duas culturas: o Lughnasadh é a festa gaélica ligada ao deus Lugh, o Lammas é a “missa do pão” anglo-saxã em que se abençoava o primeiro pão do grão novo. A roda do ano moderna usa os dois nomes para o mesmo sabá de 1º de agosto.
Como se pronuncia “Lughnasadh”?
Algo como “LU-na-sa”, com a tônica na primeira sílaba: o gh e o dh são quase mudos. A grafia irlandesa moderna, Lunasa, é mais amigável aos olhos e também nomeia o mês de agosto.
Por que jogos e provas no Lughnasadh?
O mito faz deles jogos fúnebres fundados por Lugh para honrar Tailtiu; a história vê neles as grandes assembleias do começo de agosto, com corridas, provas e feiras. Nas duas leituras, a festa celebra a habilidade e o talento, à imagem de Lugh, mestre de todas as artes.

Fontes

  • Michael Norton, The Ritual Effect, 2024
  • Ronald Hutton, The Triumph of the Moon, 1999