Calendário lunar · Escorpião · água

Lua Cheia em Escorpião.

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Uma lua cheia em Escorpião acontece quando a Lua, oposta ao Sol, atravessa o signo de Escorpião, mais ou menos uma vez por ano. A próxima cai em 20 de abril de 2027. A tradição a lê como um ponto de culminância no registro do signo: o que os dias bonitos deixavam no fundo volta à plena luz, e a intensidade pede a sua travessia.

O que esta lunação tinge

A tradição a conta entre as luas cheias mais intensas do ano. Ela se levanta em maio, no meio dos jardins em flor e do Sol em Touro, tranquilo e sensorial: e é justamente esse contraste que faz a sua força. A Lua cheia em Escorpião olha por baixo do gramado. Oitava casa diante da segunda: o que se transforma diante do que se guarda, as profundezas compartilhadas diante das posses tranquilas. O que amadurece sob esta luz são as mudas começadas no outono: as intenções enterradas na lua nova de novembro voltam transformadas, e você pode medir o caminho real, aquele que não aparece nas fotos. As emoções intensas (desejo, ciúme, luto, fascínio) ganham voltagem por alguns dias; os segredos tendem a aflorar, as conversas a mergulhar de uma vez. A tradição lê ali o grande encontro anual com o que a gente evita: não para se comprazer nele, mas porque uma vida que nunca desce ao seu porão acaba assombrada por ele. O que pede para ser solto aqui carrega nomes pesados: um rancor guardado como um tesouro amargo, um controle que esgota, uma lealdade a uma dor antiga. O Escorpião fixo não larga por esquecimento: ele larga pela travessia. Sinta o que deve ser sentido, por inteiro, uma vez; depois, estranhamente, o aperto afrouxa por si.

Um ritual para recebê-la

Encontre água: um banho, um rio se você tiver um perto de casa, ou simplesmente uma tigela grande e escura. Escreva num papel o rancor, o medo ou o controle do qual você quer se livrar, nomeando sem rodeio: Escorpião respeita a precisão. Depois deixe a água trabalhar: dissolva o papel na tigela, ou leia uma última vez antes de deslizar para dentro do banho e rasgue ao sair. Fique depois um momento na penumbra, sem ocupação, sentindo o que circula. Se uma emoção subir, acolha-a como uma visitante esperada há muito tempo. Termine com uma ducha breve: a água que leva embora, depois a água que renova.

Três perguntas para o seu diário

  1. Qual rancor eu mantenho aceso como um fogo, e o que ele ainda me dá em troca do que me queima?
  2. O que eu controlo na minha vida por medo de perder, e o que vira esse vínculo sob esse controle?
  3. Qual travessia dos últimos seis meses de fato me transformou, e o que eu deixei na outra margem?

E a lua nova no mesmo signo: lua nova em Escorpião, ou o calendário das luas cheias inteiro.

Fontes

  • Jan Spiller, New Moon Astrology (Bantam, 2001)
  • Demetra George, Mysteries of the Dark Moon (HarperOne, 1992)