Cristais

Pedras de nascimento por mês: doze meses, doze companheiras

Este guia faz parte da série Cura com cristais: o que a tradição empresta às pedras e o que você pode fazer (parte 4 de 4).

Sua pedra de nascimento é a que o costume liga ao seu mês: granada em janeiro, ametista em fevereiro, até a turquesa de dezembro. Os joalheiros americanos reunidos em Kansas City fixaram a lista moderna em 1912, mas a linhagem remonta às doze pedras do peitoral de Aarão. Não é o mesmo que a pedra do seu signo: esta você lê no calendário, e a tradição lhe dá um caráter para cada mês.

Por Jade Nohemia 7 min de leitura

Você quase com certeza já conhece a sua pedra de nascimento, ao menos de nome. Ela está nas vitrines das joalherias, nos presentes de batizado, nos anéis que se oferecem nos aniversários redondos. O que poucos percebem é a idade do fio que liga esse costume à sua origem. Ele atravessa um texto bíblico, um historiador do primeiro século, as cortes da Europa Central e uma reunião de joalheiros americanos em 1912. Doze meses, doze pedras, e atrás de cada uma, séculos de histórias.

De onde vêm as pedras de nascimento?

Tudo começa, dizem as fontes antigas, no peito de um sumo sacerdote. O livro do Êxodo descreve o peitoral de Aarão: doze pedras engastadas em ouro, dispostas em quatro fileiras de três, cada uma gravada com o nome de uma das doze tribos de Israel. No primeiro século, o historiador Flávio Josefo propõe, nas suas Antiguidades dos Judeus, uma leitura que mudaria tudo: essas doze pedras, sugere ele, também responderiam aos doze meses do ano e aos doze signos do zodíaco. São Jerônimo retomaria a ideia, e a ponte estava lançada. Doze pedras, doze porções de tempo.

Durante séculos, o costume queria que você possuísse idealmente as doze e as usasse por revezamento, cada uma durante o seu mês, quando se acreditava que a sua influência fosse mais forte. O gemólogo George Frederick Kunz situa o hábito moderno na Polônia do século XVIII: usar só a pedra do próprio mês, o ano inteiro, como uma assinatura. Então, em 1912, os joalheiros americanos reunidos em Kansas City fixaram a lista padrão que ainda circula hoje. Alguns retoques vieram desde então, a tanzanita se juntou a dezembro em 2002, o espinélio se juntou a agosto em 2016, mas o coração da lista se mantém há mais de um século.

As doze companheiras, mês a mês

Janeiro: granada. Vermelha-funda como uma brasa contida, ela abre o ano no auge do inverno. Os viajantes da Idade Média a carregavam como companheira de estrada, e a lenda diz que uma carbúnculo, granada na língua dos lapidários, iluminava o interior da arca de Noé. A tradição lhe dá constância e fidelidade: um calor que se mantém quando tudo o mais congela.

Fevereiro: ametista. Seu nome grego, amethystos, significa “não embriagado”. Os gregos esculpiam taças nesse quartzo violeta, confiando que elas mantinham a cabeça lúcida, uma ideia que Plínio já transmitia com a sobrancelha erguida. Pedra dos bispos na Idade Média, ela carrega medida, clareza, uma mente que continua sendo dona de si.

Março: água-marinha. Aqua marina, água do mar. Diz-se que os marinheiros a carregavam para travessias calmas, contam os lapidários, e o seu azul pálido guarda algo de um mar tranquilo. A tradição lhe empresta coragem serena e fala clara. A heliotrópio, verde salpicada de vermelho, foi por muito tempo a sua companheira no mês.

Abril: diamante. Adamas, “o invencível”. Os gregos deram esse nome a tudo o que nada conseguia tocar. Pedra dos votos, ele representa o que não se dobra, o amor que você jura, a vontade a que você se apega. O mais duro de todos os minerais, para o mês em que a primavera se instala.

Maio: esmeralda. Plínio escreveu que nenhum verde é mais profundo, e que os gravadores de gemas descansavam os olhos contemplando-a. Pedra de Vênus nas antigas correspondências, ela carrega renovação, o verde das folhas novas, o amor que começa: tudo o que maio já faz tão bem sozinho.

Junho: pérola. Nascida de uma criatura viva, ela não é mineral, mas um presente da madrepérola. As tradições a ligam à lua, cuja redondez leitosa ela compartilha, e à pureza. A pedra da lua, depois a alexandrita, se juntaram a ela nas listas de junho: um mês inteiro sob o signo da luz suave.

Julho: rubi. O sânscrito o chamava de ratnaraj, “rei das pedras”. Os guerreiros birmaneses, relata Kunz, o usavam embutido sob a pele para se tornarem invulneráveis. Vermelho como o coração do verão, ele representa ardor, coragem, a vida batendo forte.

Agosto: peridoto. Os egípcios o mineravam numa ilha do mar Vermelho e o chamavam de gema do sol; a lenda diz que o procuravam à noite, pois se acreditava que ele brilhasse no escuro. Engastado em ouro, julgava-se que afastava os terrores da noite, escrevem os lapidários. O espinélio se juntou a ele em 2016.

Setembro: safira. Azul como o céu quando o verão se retira, foi a pedra dos sábios e dos bispos, à qual se atribuíam verdade, fidelidade e proteção contra a inveja. Os lapidários medievais a colocavam mais perto dos céus, como se tivesse sido recortada deles.

Outubro: opala. Toda cor vive no seu jogo de luz, e a tradição a viu por muito tempo como pedra de esperança, dizendo que ela reunia as virtudes de todas as gemas cujas cores tremeluzem por dentro dela. Sua fama de má sorte é uma invenção recente: Kunz a rastreia até um romance de Walter Scott de 1829. A turmalina agora lhe faz companhia nas listas.

Novembro: topázio. Dourado como os últimos fogos do outono, dizia-se que acalmava a raiva e firmava o coração, escreviam os lapidários. O citrino, seu sósia ensolarado e mais acessível, divide o seu mês hoje: duas pedras de luz para a estação que escurece.

Dezembro: turquesa. Trazida da Pérsia pelas rotas de comércio, protegia os cavaleiros, diz a tradição, e julgava-se que empalidecia como aviso de perigo. Um azul claro de inverno, ela fecha o ano. O zircão azul, depois a tanzanita, se juntaram a ela nas listas modernas.

Pedra de nascimento ou pedra do signo: qual a diferença?

As duas existem, e as pessoas as confundem o tempo todo. A pedra de nascimento segue o calendário civil: um mês, uma pedra, a lista dos joalheiros. A pedra do signo segue o zodíaco: Áries cavalga entre março e abril, e suas pedras mudam de uma escola para outra, umas ligando-as ao planeta regente do signo, outras às correspondências que os lapidários transmitiram. Nenhuma das listas é mais “verdadeira” que a outra. São duas grades sobrepostas ao mesmo desejo, o desejo de uma pedra só sua, dada a você pela data em que chegou ao mundo.

Se você nasceu em fevereiro sob o signo de Aquário, a ametista tende a aparecer duas vezes, e a questão se resolve sozinha. Quando as listas divergem, escolha a que fala com você: é o vínculo que faz o trabalho, não o rótulo. O que a tradição dá às pedras, de onde elas vêm e como dobrá-las num gesto diário, tudo isso se desdobra no guia da litoterapia.

Usar, presentear, manter viva

O costume tem as suas gentilezas discretas. Você dá uma pedra de nascimento nos aniversários de marco, num nascimento literalmente, numa despedida; engastada num anel ou num pingente, ela se torna um daqueles objetos discretos que acompanham você por toda uma vida sem nunca sair de moda. Mas a versão preciosa não é de jeito nenhum obrigatória: uma simples pedra rolada do seu mês, escolhida à mão num cesto de loja, carrega a mesma história por uns trocados.

Você pode lhe marcar um encontro fixo. No primeiro dia do seu mês de nascimento, todos os anos, retome-a na mão e olhe quanto você caminhou desde o ano anterior. É um ritual minúsculo e pessoal, mas é exatamente assim que as pedras têm cumprido o seu papel desde o peitoral de Aarão: dando ao tempo uma forma que você pode segurar na mão. E, como qualquer companheira de longa estrada, ela gosta de ser cuidada. Os cuidados que a tradição poliu até deixar lisos, a água, a fumaça, a lua cheia, esperam por você em limpar e energizar os cristais, junto com a mineralogia que vem junto: uma pérola ou uma opala não se manuseia como uma granada.

Perguntas frequentes

De onde vêm as pedras de nascimento?
A linhagem remonta ao peitoral de Aarão, descrito no livro do Êxodo: doze pedras engastadas em ouro, uma para cada tribo de Israel. No primeiro século, o historiador Flávio Josefo propôs, nas suas Antiguidades dos Judeus, que essas doze pedras também respondiam aos doze meses do ano e aos doze signos do zodíaco, e São Jerônimo retomou a ideia depois dele. Durante séculos, o costume queria que se possuísse as doze pedras e se usasse cada uma no seu mês. O gemólogo George Frederick Kunz situa o hábito de usar só a pedra do próprio mês na Polônia do século XVIII. A lista padrão moderna só foi fixada em 1912, quando os joalheiros americanos se reuniram em Kansas City.
Qual é a pedra de nascimento de cada mês?
A lista, mês a mês: janeiro é a granada, fevereiro a ametista, março a água-marinha, abril o diamante, maio a esmeralda, junho a pérola, julho o rubi, agosto o peridoto, setembro a safira, outubro a opala, novembro o topázio e dezembro a turquesa. Alguns meses ganharam companheiras mais recentes: a tanzanita se juntou a dezembro em 2002, o espinélio se juntou a agosto em 2016, e o citrino divide novembro com o topázio, assim como a turmalina acompanha outubro e o zircão azul acompanha dezembro.
Pedra de nascimento e pedra do signo são a mesma coisa?
Não. A pedra de nascimento segue o calendário civil: um mês, uma pedra, fixados pela lista dos joalheiros de 1912. A pedra do signo segue o zodíaco astrológico, cujas datas não coincidem exatamente com os meses civis, e as suas pedras variam de uma escola para outra conforme o planeta regente ou as correspondências dos lapidários. Nenhuma das duas listas é mais 'verdadeira' que a outra: são duas grades diferentes sobrepostas ao mesmo desejo de uma pedra pessoal ligada à data de nascimento.

Fontes

  • Livro do Êxodo, 28, 15-21: o peitoral de Aarão e as suas doze pedras
  • Flávio Josefo, Antiguidades dos Judeus, livro III (século I)
  • George Frederick Kunz, The Curious Lore of Precious Stones (J.B. Lippincott, 1913)